17 de mar. de 2007

E Um Último Cigarro

Difícilmente encaro meus olhos no reflexo do espelho. Fitar-me vem sendo complicado, nos últimos tempos. Tantas mudanças, tantas evoluções, tantos deslizes, tantas novidades, tantas crises, tantos enganos, tantos pensamentos cheios de nada, tantos sentimentos vazios de si, tanta desordem!

Minhas mudanças são tão insignificantes à ponto de eu nem mais sentí-las. Minhas evoluções, ou andam pra trás, ou em câmera lenta (muito lenta, eu diria). Deslizes? Não é bem essa a palavra; talvez não sejam deslizes, seja apenas imaturidade da minha parte. Todas as novidades que me chegam, vêm de maneira distorcida; nunca consigo ver o que realmente se passa na frente dos meus olhos. As crises são quase que rotineiras, gerando os pensamentos que me levam e trazem e acabam me confundindo ainda mais. Mas nada confunde meus sentimentos, e disso, eu tenho plena certeza.

Ninguém vai tirar de mim o que estou sentindo agora. Não é arrependimento; é culpa, por não ter dito antes coisas que poderiam me fazer sentir mais aliviada agora. É angústia, por desacreditar em mim mesma. É tristeza, por saber que joguei oportunidades no lixo. É raiva, por perceber que não sou tão forte quanto gostaria, e que não tenho a super capacidade de dominar meus sentimentos. É ódio da minha própria natureza, por ter me feito tão afoita, tão impulsiva, tão explosiva.

Preciso pensar em mim, mesmo que acabe sendo egoísta, mas preciso. Reconheço o caminho errado no qual pisei, mas já me deparei com a culpa enorme que me aguarda no fim da estrada; prefiro parar agora, e fumar um último cigarro antes de retornar pro caminho que vai me levar ao que eu sinto (ou à quem eu sinto). E se o tal caminho não me levar pra lá, ainda assim não me arrependerei de ter voltado. Pela primeira vez sinto que faço a escolha certa; mesmo achando meio tarde pra voltar. Pela primeira vez, acendo o cigarro com a razão.

Um comentário:

simon disse...

Que último que nada.