As coisas, às vezes (quase sempre, na verdade), mudam de sentido com tanta voracidade que meus olhos pouco vêem, e minha mente muito questiona. Sempre que isso acontece, tenho a estranha sensação de que tudo mudou em instantes, mas tudo mesmo (!), até o que não está relacionado com a possível mudança principal.
Tenho valores bem estruturados, sentimentos intensos e idéias embaralhadas. Acredite, tu levarias séculos pra entender tudo isso. E eu levo segundos pra os diferenciar, sentir, ignorar, e aceitar. Mesmo tendo gostos contraditórios aos da massa comum da sociedade; mesmo vivendo entre o céu e o inferno em diversas situações; mesmo pagando muito caro por ser quem sou, por fazer o que faço, por dizer o que digo; ainda assim acredito que vale à pena.
Confesso que há algumas situações que exigem uma certa mudança de comportamento, ou de pensamento, talvez. Algumas dessas tais, ora me levam ao extremo da loucura, ora me obrigam à pensar um pouco melhor. Pensar um pouco melhor! Eu deixaria de ter mais da metade dos meus problemas se simplesmente pensasse antes de agir. Isso se chama controle. E como eu invejo quem o tem!
Embora seja fechada às críticas alheias, há algumas semanas decidi aceitar um conselho vindo de alguém que não sabia ao certo que era, e nunca tinha o visto pessoalmente; mas ele tinha um tom a mais nas palavras, que me fazia (e ainda faz) parar e aceitar o que tem à me passar.
Não sei explicar direto, acho que nem tem explicação, mas as palavras do conselheiro desconhecido me deixaram estranhamente pasma! Talvez por eu perceber que estava mesmo em tempo de mudar certo detalhe no meu comportamento. O fato é, não foi apenas esta pequena obscuridão que teve sua mudança necessária. O parecer me dado me fez repensar cada ato e cada sentimento mal organizado, ou impulsivo, mal pensado.
De um simples conselho, tirei as lições mais importantes que já tive até hoje. Acho que já agradeci ao conselheiro, mas vale agradecer novamente, e novamente, e novamente. Mesmo sabendo que já dei mancadas feias (que vergonha!) depois disso tudo, confesso que aprendi muito à partir de simples palavras ditas sem o menor pudor.
Vi que posso ser eu mesma sim, mas preciso aprender a ser eu! Repensando tudo; olhando bem além dos atos, lá na parte das consequências; é chato, mas vantajoso! Minha impulsividade precisa ser urgentemente controlada, senão de nada me adiantará pareceres de estranhos e de não estranhos.
Percebi também que não importa a auto-definição que nos damos, nunca seremos exatos o bastante pra dizer quem somos. Nunca seremos sinceros o suficiente para identificar todos os defeitos. Nem seremos o poço de coragem que gostaríamos de ser, para assumir todos os erros; para enfrentar todos os caminhos contraditórios; para engrandecer caindo. Às vezes, é preciso ter um olhar externo lhe dizendo o que está errado.
É caros leitores, eu envelheci cem anos, em um dia. Na real, acho que amadureci um pouquinho mais.
4 comentários:
teu texto está cada vez melhor.
te acarma.
Que orgulho cara *.*
Dizem que "se conselho fosse bom, não se dava; se vendia". Mas, o que é um conselho, quando serve, é o momento certo, ou seja, estávamos prontos para ouvir. Somos todos teimosos, e não gostamos que nos digam o que fazer. Porém, tem aquele momento certo em que as palavras fazem sentido. Se soubermos aproveitar, ótimo.
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