11 de ago. de 2008

Senhora de Si

Queridas colegas leitoras, falando francamente, responda para si mesma as seguintes perguntas: quantas vezes você já quis ser arrogante com quem a tratou mal e não conseguiu? E quantas vezes conseguiu? (Homens nem tentm sequer imaginar as possíveis respostas pois jamais conseguiriam.)

Aurélia Camargo é a senhora mais cheia de si que já conheci em toda a minha existência. Nada de meias palavras, nada de submissão (apesar de ter vivido em uma época cuja independência feminina ainda era piada), nada de sonhos românticos, nada de se julgar inferior moralmente (nem em sua infância pobre).

Num ímpeto de pura e amarga inveja, desejei ser como ela, senhora de si, senhora de outros, tão doce e tão amarga, fria, calculista e cruel como nenhuma outra. Dona de um olhar cético e atrevido como dela só, coisas de mulher... Mas não de qualquer mulher, coisas de Aurélia Camargo, a mulher que comprou o homem que amava. A mulher que teve a audácia de oferecer 100 contos para que seu querido Seixas deixasse a noiva para lhe servir apenas, como um escravo da moral.

O desenrolar desse romance é tão doloroso e tão impregnante como jamais se vira. José de Alencar merece um prêmio por dar vida à mulheres assim como Aurélia, como Iracema, que não deixam a vida das pessoas que as cercam passam em branco, sem ser marcada por elas.

Mulheres como Aurélia são cada vez mais comuns hoje, mas não apenas em criações literárias. Mulheres fortes, determinadas e decididas, eu conheço várias. Mulheres de verdade, que trabalham de domingo à domingo e que sempre encontram um tempo para pintar as unhas. Mulheres que não se submetem à certas coisas por si mesmas, mas são capazes de ir bem mais além disso por seus filhos. Mulheres que não esperam mais por um príncipe encantado, até porque o encanto acaba cedo.

Mulheres de verdade, é disso que José de Alencar fala no livro Senhora, de uma mulher de verdade, cheia de dúvidas, amor, rancor, coragem e doçura.

Um comentário:

Roberto Hobold disse...

E então, ela beijou o sapo, pois ele se transformaria num lindo príncipe. Surpresa, o sapo só mudou de aparência.
Que culpa tem o sapo?