6 de ago. de 2008

Sinopse (de nada)

Há muito o que fazer aqui agora, mas falta o que chamo de vontade. São 20:38h de uma terça-feira fria. Já sei o que estás pensando, eu deveria estar na aula, e estou! A aula é de geometria, o assunto geometria espacial, e a vontade de estudar não sei onde foi parar (talvez no espaço também).

Talvez... certa vez escrevi um texto sobre isso. Lembro vagamente que dizia não gostar desta palavra por ela significar incerteza sobre as coisas. Teoricamente essa minha afirmação até que tem algum sentido, mas particularmente passei a ver certas coisas de maneira diferente. Passei a acreditar nos sonhos, nos meus sonhos,que outrora foram deixados de lado por um motivo qualquer. E quando se crê nos sonhos, o talvez se transforma completamente e passa a ser uma esperança louca, doce e favorável para o crescimento e amadurecimento das idéias e pensamentos.

Eu tenho um sonho, quero escrever um livro (na verdade verdadeira, como diz minha mãe, queria viver de escrever, mas sejamos realistas, isso é complicado por aqui e não dá muito dinheiro, no final do mês as contas vencem). Também quero ter um filho, adotar mais cachorros, parar de beber leite e ir numa parada gay (para quê festa mais animada?). À primeira vista parecem apenas planos, mas todo plano que passa da hora de ser posto em prática se transforma em sonho, e é a partir daí que todo “se”, todo “talvez”, todo “quem sabe” passa a valer a pena.

Ando confusa. Sabe aquela história de que o curso me escolheu? Não sei o porquê, mas parece que houve uma reversão nessa frase durante as férias. Pra ter noção, estou na aula da arte matemática e ao invés de estar olhando para o quadro, onde o mestre desenha retas e planos, estou com o pensamento longe daqui, escrevendo este texto ao invés de responder ao professor “quando três pontos distintos determinam um único plano”. Eu não sei... Na verdade, eu sei sim, mas não consigo raciocinar sobre isso agora, nem sobre nada que não esteja transcrito aqui.

Foi a esperança louca de um talvez que desnorteou meus sentidos desse jeito. Aos poucos recupero a atenção, enquanto isso o professor recomeça a aula, já passa das 21:30h e metade da turma ainda não voltou do intervalo, o que me ajuda na concentração, já que assim predomina o silêncio (com uma pequena exceção de uns garotos jogando truco aqui ao lado, mas o barulho deles não me atrapalha). De qualquer forma, não ando mesmo motivada à me concentrar, embora insista em fazer isso sempre, sempre, sempre.

A aula já está acabando e me envergonho por perceber que não estou levando na memória nenhuma palavra que o professor falou, nada mesmo. Só lembro de ter ouvido muito algumas palavras como reta, plano, coplanares, ortogonais... Não tenho noção de como estavam dispostas essas palavras nas frases que ele falava.

Bem, preciso ir agora. Fica a dica, vivam a embriagues do talvez, o entorpecimento, a doçura. É idílico, mas funciona de verdade. E para os que sabem do que falo, leiam nas entrelinhas.

2 comentários:

Unknown disse...

"E esse Talvez?" Como isso pode mudar um destino!Ou isso é um destino!

Roberto Hobold disse...

Viver de escrever? É um sonho, mas parece que só será um sonho. Cruel? Os escritores sempre precisam de uma fonte de renda. O vidinha merda assim, né? Há lá um ou outro que até consegue. Mas, chegar lá, ô caminho difícil e restrito. Mas, quem sabe, né?