E eu, tão acostumada as perdas e ganhos relâmpagos, me vi sem chão. Não que vá fazer falta o que perdi, nem que acrescente em qualquer coisa o que ganhei, mas tem um ar diferente dessa vez. Olhando tudo agora, menos eufórica, menos ansiosa, mais precipitada e mais (muito mais) impulsiva (descarada é a palavra que deveria usar, mas enfim, impulsiva soa menos promíscuo, salvo que a essa altura já nem faz diferença).
Me sinto avessa, não pelas perdas, menos ainda pelos ganhos. É como se no meio de um caminho qualquer meus sapatos mudassem de cor. É indiferente e sem importância, um mero detalhe. Mas eu, eu percebi, eu tão apaixonada por sapatos, eu que antesde qualquer coisa olho para os pés das pessoas, eu percebi.
Só não me cala uma dúvida chata, insistente, não sei mais se foram meus sapatos que mudaram de cor, ou meus olhos que aprenderam a enxergá-las.
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